Acordo amplia a cooperação entre os dois mercados e prevê novas missões, rodadas de negócios e intercâmbio entre feiras
Além das visitas técnicas e uma verdadeira imersão nas inovações do varejo asiático, durante a Missão à China, a ABF e a China Chain Store & Franchise Association (CCFA) firmaram uma parceria inédita para o setor. A Missão acontece de 27 de agosto a 5 de setembro, realizada em parceria com a ApexBrasil, por meio do programa Franchising Brasil.
Após uma relação de muitas conversas, o objetivo da assinatura do termo de cooperação formal é estabelecer um canal não apenas de diálogo, mas com a possibilidade de novas missões, visita ao Brasil, intercâmbio entre a as feiras de franquias e match making.
“Esta é uma iniciativa muito representativa para a entidade. Possibilitamos aos nossos associados fazer um benchmarking de alto nível em um mercado que se consolidou como um dos mais dinâmicos e inovadores do mundo. Estamos fazendo uma verdadeira imersão, que permite às marcas conhecerem novas práticas, ampliar sua visão sobre as transformações da economia e compreender melhor as mudanças no comportamento do consumidor”, afirma Cristina Franco, presidente do Conselho da ABF. Ela acrescenta, ainda, que “a parceria com a associação chinesa tornará esse intercâmbio ainda mais constante, abrindo novas possibilidades de conexão e negócios no futuro”.
Um dos maiores mercados de franquias
O franchising chinês vive uma nova fase de expansão. Depois e conquistar estaca no mercado doméstico, marcas de alimentação, bebidas, cafeterias, varejo, serviços e outros segmentos passaram a olhar. Com maior intensidade para o exterior, mas com modelos de negócios mais competitivos.
As 300 maiores redes chinesas já somam mais de 1 milhão de lojas ativas, sendo que 23 delas possuem mais de 10 mil unidades. Algumas marcas de franquias já estão presentes no Brasil, e a expectativa é de ampliação desse fluxo nos próximos anos, com oportunidades para diferentes modelos de negócios e parcerias.
A transformação do setor foi destacada por Mônica Zhao Yizhou, diretora da CCFA, durante encontro sobre o mercado de franquias chinês e suas perspectivas internacionais. Segundo ela, a expansão das redes chinesas está diretamente ligada à capacidade de combinar força de marca, padronização operacional, flexibilidade e tecnologia.
“Uma das principais características das empresas chinesas é a capacidade de operar em grande escala e, ao mesmo tempo, adaptar rapidamente seus modelos às mudanças do mercado”, resume Mônica.
Entre os segmentos que mais chamam atenção estão alimentação e bebidas, cafeterias, snacks, varejo, serviços e educação. O avanço do delivery e das plataformas digitais também modificou profundamente a operação das franquias, aproximando loja, consumidor, tecnologia e logística em um único ecossistema.
Da loja física ao ecossistema digital
Para a CCFA, as redes estão incorporando ferramentas digitais em áreas como marketing, gestão, estoque, atendimento, pagamentos, logística e relacionamento com o consumidor.
A inteligência artificial surge agora como uma das principais fronteiras dessa transformação. Sistemas baseados em IA podem apoiar as empresas na análise de dados, previsão de demanda, gestão de estoques, personalização da experiência do consumidor e automação de processos. Na prática, a tecnologia permite que redes com centenas ou milhares de unidades tenham maior controle sobre suas operações e tomem decisões de forma mais rápida.
“O desenvolvimento tecnológico está mudando a maneira como as franquias são administradas. A inteligência artificial cria novas possibilidades para eficiência, gestão e experiência do consumidor”, afirma Mônica.
Marcas chinesas buscam o consumidor global
De acordo com a CCFA, a internacionalização exige compreensão das diferenças culturais, hábitos de consumo, legislação, infraestrutura e características específicas de cada mercado. A capacidade de adaptação passa a ser, portanto, tão importante quanto a padronização.
Esse equilíbrio é particularmente relevante para marcas de alimentação e bebidas. Produtos, cardápios, comunicação, formatos de loja e experiência do consumidor podem precisar de ajustes para atender às preferências locais, sem comprometer a identidade da marca.
Logística chinesa como diferencial
A logística é outro componente fundamental da transformação. O crescimento do comércio eletrônico e do delivery na China criou um ambiente em que consumidores passaram a esperar rapidez, conveniência e integração digital. As franquias precisaram acompanhar essa mudança e desenvolver operações cada vez mais eficientes.
Esse ecossistema conecta consumidores, lojas, plataformas digitais e entregadores em tempo real, tornando a logística parte estratégica do próprio modelo de negócio.
Experiência chinesa pode abrir oportunidades no Brasil
A aproximação entre empresas chinesas e brasileiras pode ocorrer por meio de franquias, master franquias, joint ventures, distribuição, parcerias estratégicas e outros formatos.
O Dr. Dehong Yang, conselheiro da CCFA, destaca que o setor está deixando de ser analisado apenas sob a perspectiva do número de lojas para ser compreendido como um ecossistema que reúne marca, tecnologia, dados, logística, cadeia de suprimentos, capital e parceiros locais. A internacionalização das redes chinesas tende a ampliar esse processo.
“Para crescer internacionalmente, uma empresa precisa combinar uma marca forte com capacidade de adaptação e uma operação eficiente. A tecnologia passa a conectar todos esses elementos”, explica o Dr. Yang.
Foto: ABF/Divulgação