Setor alcança R$ 76,3 bilhões em faturamento de abril a junho deste ano e demonstra resiliência ao combinar empreendedorismo, conveniência e presença em vários pontos da jornada de consumo; no semestre, crescimento chegou a 9,7%.
O franchising se consolidou no Brasil não apenas como uma estratégia de expansão empresarial e empreendedorismo assistido, mas também como uma verdadeira infraestrutura de serviços para a sociedade brasileira. Da padaria ao café da manhã, dos cursos de inglês à educação infantil, da academia à farmácia, da lavanderia ao jantar, das clínicas odontológicas aos serviços financeiros, milhões de brasileiros interagem diariamente com marcas franqueadas sem perceber.
Com isso, o mercado de franquias brasileiro registrou um crescimento nominal de 9,3% no 2° trimestre, alcançando um faturamento de R$ 76,3 bilhões, de acordo com a Pesquisa Trimestral de Desempenho da ABF – Associação Brasileira de Franchising. No semestre, o crescimento foi de 9,7%, com faturamento de R$ 149 bilhões.
A ABF destaca que este resultado foi obtido em um ambiente marcado por juros elevados, inflação ainda pressionada, restrição de crédito, endividamento das famílias e com a atividade econômica geral em ritmo menor, o que pressiona o caixa das redes e demanda disciplina financeira. Mesmo assim, o franchising continuou crescendo acima da economia brasileira.
Para o presidente da ABF, Tom Moreira Leite, poucos setores possuem uma presença tão abrangente na vida das pessoas. “O franchising está em, praticamente, todas as etapas da jornada de consumo do brasileiro, especialmente nos itens de primeira necessidade (alimentação, vestuário, educação, saúde e serviços). Hoje o setor gera empregos, renda, oportunidades de empreendedorismo assistido e acesso padronizado a produtos e serviços em milhares de municípios pelo país. É importante destacar também o acesso a tecnologias e sistemas que, isoladamente, um empreendedor dificilmente teria acesso”.
Os segmentos que mais cresceram no 2° trimestre reforçam essa transformação. O destaque foi Limpeza e Conservação, que avançou 17,6%. A expansão das lavanderias expressas e de autosserviço, somada ao avanço dos serviços de limpeza profissional sustentam o desempenho do segmento. O mercado de trabalho mais aquecido, a redução do tempo disponível para tarefas domésticas e as mudanças no perfil das moradias urbanas têm favorecido a terceirização dessas atividades, reforçando a demanda por serviços mais práticos e acessíveis.
Saúde, Beleza e Bem-Estar vem em seguida, com um crescimento de 15,2%. Este crescimento foi impulsionado pela expansão dos cuidados pessoais, atividades físicas e serviços odontológicos, refletindo o avanço do conceito de wellness na vida dos consumidores e nas redes sociais. As casas de repouso e serviços de cuidadores também ganham espaço com o envelhecimento da população e a maior demanda por atenção especializada, enquanto a rotina mais intensa das famílias estimula a busca por praticidade na assistência aos idosos.
O terceiro destaque no 2° trimestre foi Alimentação – Food Service, com um avanço de 13,7%. Sorveterias e restaurantes de serviço rápido foram as principais alavancas deste desempenho, favorecidos pela busca do consumidor por conveniência, preços competitivos e refeições práticas no dia a dia, incluindo o delivery.
Crescendo acima da média do setor, aparecem ainda os segmentos de Entretenimento e Lazer (12,1%) e Educação (11,8%). Confira abaixo o quadro completo:

“Em um contexto de maior racionalidade nos gastos, continuam crescendo os negócios ligados à conveniência, bem-estar e necessidades recorrentes. O consumidor pode adiar a compra de bens duráveis, mas continua frequentando farmácias, academias, clínicas, lavanderias, minimercados, cafeterias e serviços de alimentação. Essas franquias têm um denominador em comum: economizam tempo e simplificam a vida das pessoas. O consumidor moderno valoriza cada vez mais conveniência, proximidade e praticidade”, destaca Leite.
Outro fator importante para o desempenho do setor é a resiliência do mercado de trabalho brasileiro. As projeções para 2026 apontam crescimento do PIB de 2,2%, geração de aproximadamente 1,24 milhão de empregos formais e taxa de desemprego próxima de 5,3%.
Empreendedorismo com menor risco
Em um ambiente econômico mais complexo, o franchising também segue atraindo novos empreendedores. Marcas consolidadas, processos testados, treinamento contínuo, cadeia estruturada de suprimentos, compartilhamento de recursos tecnológicos e suporte permanente tornam o modelo uma opção para quem busca empreender com menor risco. Não por acaso, o setor encerrou o trimestre com mais de 207,2 mil operações em funcionamento, 6.652 a mais do que no 2° trimestre de 2025, e aproximadamente 1,803 milhão de empregos diretos, 58.566 a mais do que no período anterior.
Perspectivas para 2026
Apesar dos desafios relacionados ao custo de capital, à transição da reforma tributária e à pressão sobre alguns insumos, a expectativa para o restante do ano permanece positiva. A combinação entre consumo doméstico resiliente, crescimento dos serviços de conveniência, digitalização e expansão do empreendedorismo deve continuar impulsionando o desempenho das redes.
“O franchising brasileiro cresce porque acompanha as transformações da sociedade. Quanto mais as pessoas buscam praticidade, conveniência, qualidade e confiança, mais relevante o setor se torna. Hoje ele faz parte do cotidiano dos brasileiros e essa é a principal razão de sua resiliência e capacidade de expansão”, conclui Tom Moreira Leite.
Metodologia
A Pesquisa de Desempenho do Franchising referente ao 2º trimestre de 2026 envolveu uma base amostral com redes respondentes que representam aproximadamente 41% do faturamento e 34% das operações do setor. Abrangendo o mercado como um todo, inclusive não associados, os números do desempenho do setor de franquias são apurados em pesquisa por amostragem, cruzados com levantamentos feitos por entidades representantes de setores correlatos ao sistema de franquias, órgãos de governo, instituições parceiras e de ensino, refletindo o universo total das marcas de franchising que operam no Brasil. Auditados por empresa independente, os dados divulgados pela ABF são referência para órgãos governamentais de diversas esferas, entidades internacionais do franchising, como World Franchise Council (WFC), Federação Ibero-Americana de Franquias (FIAF) e instituições financeiras.