Especialistas debatem tendências e aplicabilidade no Brasil durante o Pós National Restaurant Association Show no Auditório Santander em São Paulo.
“Mais do que aprender uns com os outros, franchising é educar gerações de empreendedores natos. O Pós National Restaurant Association Show da ABF é mais uma oportunidade de conexão e troca entre o franchising brasileiro e o segmento de Food Service”, disse Bruno Gorodicht (Espetto Carioca), coordenador da Comissão de Food Service da ABF. O evento aconteceu no Auditório Santander, em São Paulo, após à Missão à Convenção anual da Associação Nacional de Restaurantes dos Estados Unidos aconteceu em Chicago, de 15 a 21 de maio, realizada pela Galunion com apoio da ABF.
Fernando de Paula (Mc Donald’s), diretor Institucional ABF, apresentou os desafios vistos e discutidos no mercado norte-americano. Como destaque: a inflação, falta de mão de obra e custo elevado das operações. Apesar disso, o ambiente é de otimismo moderado e os estadunidenses estão cautelosos sobre o poder de escolha dos consumidores, mas otimizando operações, melhorando atendimentos e investindo em inovações contínuas.
“A indústria norte-americana não está tão diferente da nossa. Isso é incrível. Eles estão vivendo um momento de alta na inflação e já passamos pela hiperinflação aqui, sem contar com a nossa adaptação à inflação de outros países, ou seja, estamos bem mais calejados”, afirmou.

Neste sentido, Simone Galante (Galunion) alertou sobre a criatividade no Food Service internacional para gerar valor e engajar com o consumidor, como os drinks e coquetéis diferentes e sem álcool, que estão ganhando muita força nos Estados Unidos. “Nosso setor ensina que nada é estático. Ele pulsa e não para. Mas não podemos esquecer de cuidar das nossas pessoas. Se nos adaptamos às necessidades delas, os consumidores se conectam automaticamente”, comentou.
O conceito Tech + Touch também reflete uma tendência crescente no setor de alimentação, em que a tecnologia é vista como aliada e não substituta. De acordo com dados apresentados na Convenção, 49% dos operadores acreditam que o uso de tecnologia e automação para enfrentar desafios trabalhistas será mais comum em 2025. 74% afirmam que a presença tecnológica nos restaurantes tende a crescer de forma complementar, fortalecendo a operação ao invés de eliminar empregos.

Eficiência com sabor
A visita técnica destaque foi à sede do Google – que criou uma assistente virtual em sua plataforma para empresas do setor: Food AI, pode ajudar. “Vimos uma enfatização gigante sobre a jornada do consumidor, personalização e dados atualizados em uma via de mão dupla (das marcas e dos clientes)”, comentou Simone.
Na Rational, foram vistos equipamentos com fonte de calor de forma automática que varia de acordo com cada alimento a ser preparado – evitando excessos no preparo dos alimentos. Para Rafaela Trentini (Grupo Nós/Shell Select/Oxxo), “a tecnologia das coisas nos equipamentos culinários otimiza os preparos e vai além: melhora a gestão de uma cozinha/operação, com antecipação de manutenções, monitoramento de estoque”.
Como entusiasta de tecnologia, Dany Levkovits (Foods Brands) destacou este uso para detectar o desperdício, com foco total na sustentabilidade. “Isso faz parte de todos os negócios do setor e começa antes de chegar na operação. A tecnologia pode identificar falhas nos processos que podem ser evitados. Achei isso incrível e acredito que isso será uma tendência cada vez mais forte”, disse.
A cada pedido, uma conexão
Hospitalidade como diálogo como criadora de relevância emocional, com marcas focando em: sensações, percepções e memórias positivas. Para Simone, “é o encantamento que gera engajamento. Desde a apresentação do ambiente, dos produtos, sabor, conexões virtuais e cultura organizacional viva”.
Além de cardápios adaptados à realidade de consumo de tamanhos menores de porções, com mais proteína (animal ou plant-based), menos gordura e diferenciais regionais. Gorodicht destacou o ambiente e a realidade aumentada vinculada ao marketing – enfocando o que comunicar para o cliente. “É uma história contada de forma mais dinâmica e muda a experiência por completo, principalmente as escolhas no cardápio. Acredito que gera mais valor e autenticidade aliados ao propósito”.
Em relação à jornada do colaborador, os Estados Unidos estão investindo em facilitação – o que pode garantir a entrega de qualidade ao consumidor, permitindo crescimento sustentável do negócio – desde que seja uma simplificação de processos, mas com profundidade e tecnologia.
Fotos: Keiny Andrade/ABF