Encontro reuniu Ester Morgan (Excelência RH e Varejo) e Eliane Pellegrino (Aramis), coordenado por Celina Kochen, que falaram dos desafios e vantagens de contratar da Geração Z aos Baby boomers.
“Oitenta e quatro por cento das empresas brasileiras estão com dificuldade de contratação”, disse Ester Morgan, CEO da Excelência RH e Varejo, em sua palestra no Encontro da Comissão de Vestuário, Calçados e Acessórios da ABF sob o tema “Geração Z nas Empresas: Desafios e Oportunidades”. Conduzido por Celina Kochen, coordenadora da Comissão, o evento presencial contou também com a participação de Eliane Pellegrino (Aramis) e foi realizado nessa quarta-feira (1º/10), na sede da entidade, em São Paulo.
De acordo com Ester, a Geração Z (15 a 23 anos), nativa digital, tem forte domínio das tecnologias e redes sociais; busca por equilíbrio entre trabalho e vida pessoal. Já a X (nascidos entre 1995-2010), busca bem-estar, pertencimento e mentoria, quer significado e remuneração equilibrados. Além disso, ela gosta de “comunicação aberta e transparente”, assinalou Eliane.
As especialistas observaram que se por um lado há desafios na contratação desses jovens, por outro há uma grande procura de pessoas mais maduras por oportunidade de trabalho.
São exemplos os Baby boomers e Veteranos (46 a 60+ anos). Segundo Ester, eles foram educados com disciplina e rigidez; são leais e comprometidos com as empresas e gostam de trabalhar. “Vestem a camisa da empresa, têm compromisso”, ressaltou.
É preciso que as empresas repensem urgentemente o formato de contratação de seus colaboradores, defendeu Ester. “Tenho que pensar em horários mais flexíveis, home-office (vendas online), intermitentes e part-time”, disse a executiva.
A diversidade geracional nas empresas é a melhor estratégia para superar o desafio de contratar e reter colaboradores, na visão das especialistas.
Oportunidades da Geração Z
Celina, Eliane e Ester veem também as oportunidades da Geração Z. Segundo Ester, os jovens dessa faixa etária têm abertura para aprendizado contínuo, são curiosos, têm potencial de creators em loja (conteúdo digital), pois são os maiores influenciadores, alinhamento com ESG e propósito da marca.
“Os mais velhos fazem um trabalho de mentoria com os mais jovens, por isso que a diversidade geracional é legal”, disse a especialista. Ainda de acordo com Ester, “nossa pirâmide etária está se invertendo. Horários flexíveis também são importantes para essa geração [Baby boomers)]”, ressaltou, lembrando que se o colaborador mais maduro não tem filhos pequenos para criar, pode ter pais idosos para cuidar.
Como dica, a headhunter orienta: “Avalie os diversos aspectos e contrate independentemente da data de nascimento. Contrate atitude e treine as habilidades”, finalizou Ester.
Cases e insights da Aramis
Diretora-executiva de talentos e transformação da Aramis, Eliane Pellegrino afirmou que a “IA está mudando tudo. Ela veio para devolver tempo de qualidade para os humanos e não para tirar o trabalho de ninguém”.
A executiva trouxe dados e insights da Harvard e da Columbia Business School. Os estudos mostram que até 2030 a Geração Z representará 30% do mercado consumidor. “Se adaptar à Geração Z se torna um diferencial competitivo para as empresas”, disse.
Para Eliane, para atrair e manter colaboradores das gerações mais jovens, é preciso que as empresas tenham flexibilidade, sensibilidade e escuta ativa. “A gente acredita mais em flexibilidade do que no modelo de trabalho híbrido”, afirmou.
A Aramis criou um playbook de convivência. De acordo com a executiva da marca, há onboarding em duplas (Z+Sênior) e a empresa também faz mentoria reversa. Os reconhecimentos são feitos a cada seis meses. Esses são fatores que contribuem para uma cultura de pertencimento.
Segundo Eliane, na empresa franqueadora, Dia dos Pais, das Mães, aniversário do colaborador são folgas. Ela defendeu que as empresas olhem para os formatos 5 x 2, com horistas e folguistas. Mesmo que haja impacto no custo da folha de pagamento, a empresa deve olhar sob a perspectiva da retenção do colaborador.
Com práticas como essa, o turnover está diminuindo na Aramis e é um modelo de contratação muito aderente para essa geração, de acordo com a especialista.
Para Eliane, a Geração Z vai “de choque geracional a vantagem competitiva”.
Foto: ABF/Divulgação