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Tom Moreira Leite e José Semenzato revelam desafios no Pinga-Fogo da ABF CON

– ATUALIZADO EM outubro 31, 2026

Empresários compartilham histórias de superação, desafios pessoais e estratégias de negócios que questionam paradigmas do franchising brasileiro.

“A saúde mental e emocional do empreendedor é tão importante quanto a saúde financeira da empresa.” A reflexão de José Semenzato marcou um dos momentos mais emocionantes do Pinga-Fogo da ABF CON 2026.  Ao lado de Tom Moreira Leite, presidente da ABF (Grupo Trigo), eles compartilharam histórias de superação, decisões difíceis e aprendizados que marcaram sua trajetória. Como dificuldades financeiras no início da carreira do Semenzato e a perda dos pais em um acidente, episódio que o levou a enfrentar depressão e crises de ansiedade.

Mediado por Carol Graciani, diretora-executiva da entidade, o encontro trouxe uma conversa franca sobre os desafios de empreender, os riscos da expansão e os caminhos para construir negócios sólidos no franchising brasileiro. Para Tom, um dos grandes “equívocos do setor é considerar o número de contratos assinados como sinônimo de sucesso” Embora o setor ofereça mais suporte ao empreendedor, nenhum negócio está livre de riscos”, disse. Mas, “existem três indicadores ajudam a medir o crescimento de uma rede: a lucratividade dos franqueados, a evolução das vendas das unidades existentes e o número de transações”.

Um exemplo foi a trajetória da Casa X, rede de festas infantis desenvolvida em parceria com Xuxa, que chegou a 25 unidades no Brasil e tinha planos de alcançar 250 operações. Segundo Semenzato, os investimentos variavam entre um a dois 2 milhões de reais por unidade, mas os custos para manter os elevados padrões de segurança dificultaram a competitividade do negócio. “Para que não tivesse franqueados endividados, eu preferi encerrar esse projeto e a equipe deu todo o suporte necessário”, relatou.

A satisfação dos consumidores e franqueados também ganhou destaque no painel. Os empresários reforçaram que investir na abertura de novas unidades sem cuidar da base existente pode comprometer os resultados. Entre as reflexões, estiveram a importância de conquistar a confiança dos parceiros, preservar a qualidade das operações e fortalecer o relacionamento com os clientes. A expansão, segundo as experiências compartilhadas, deve ser consequência de um negócio bem estruturado, com franqueados satisfeitos e produtos ou serviços valorizados pelo consumidor.

As tendências de consumo também entraram na conversa, especialmente no setor de alimentação. Tom destacou o crescimento da procura por proteínas, a valorização da qualidade e a importância de oferecer boas experiências no salão, na retirada e no delivery. Semenzato reforçou que equilibrar esses canais será fundamental para preservar as margens e garantir eficiência operacional.

Na rodada final de perguntas rápidas, os participantes destacaram a força dos operadores, a qualidade dos produtos e serviços e o uso inteligente de dados como fatores essenciais para a competitividade das redes. A inteligência artificial foi apontada como “um mar de oportunidades”, enquanto a colaboração entre franqueadores e franqueados ganhou destaque nas perspectivas para o futuro do setor. Entre experiências pessoais, decisões estratégicas e aprendizados, o Pinga-Fogo deixou uma mensagem: crescer exige mais do que abrir novas unidades. É preciso construir negócios rentáveis, fortalecer parcerias e preservar os diferenciais que sustentam cada marca.

Fotos: Keiny Andrade

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