Home | Notícias | ABF em Ação | ABF trata de Sustentabilidade e Inovação no setor de franquias

ABF trata de Sustentabilidade e Inovação no setor de franquias

– ATUALIZADO EM dezembro 8, 2025

Encontro reuniu especialistas para tratar de ESG, inclusão, governança e os impactos da IA no franchising.

A Comissão de Sustentabilidade da ABF realizou, em 3 de dezembro, um encontro híbrido dedicado a discutir práticas e desafios socioambientais no franchising. Na abertura, o vice-presidente da entidade, Decio Pecin (CNA), ressaltou a importância de empresários aprofundarem o debate sobre o tema. Rodrigo Abreu (AlphaGraphics), diretor de Marketing e Comunicação e da Comissão de Sustentabilidade da ABF, reforçou o papel estratégico da Comissão. “Para mim, não há nada mais potente do que o Franchising na sociedade que possa ser tão replicável nas práticas de Sustentabilidade ESG. Quando conseguimos transmitir nossa mensagem e inspirar nossos franqueadores, franqueados e colaboradores, nosso papel está cumprido”, afirmou

O primeiro painel tratou da inclusão produtiva de jovens e do impacto da saúde mental no ambiente de trabalho, com participação de Eleine Bélaváry (Connexion Negócios Sustentáveis), Erik Cavalheri (O Boticário | Grupo Incense) e Nilton Clécio (United Way Brasil).

Os convidados analisaram a relevância do franchising como porta de entrada para o emprego formal e como a rede pode apoiar a permanência desses jovens. Eleine ressaltou o potencial desse público para inovação, enquanto Cavalheri compartilhou experiências de formação e acolhimento. Já Clécio observou que grande parte desses jovens vem de contextos de vulnerabilidade social. “Quando pessoas vulneráveis encontram ombros de gigantes, elas conseguem seguir com mais facilidade nessa jornada”, afirmou.

Os dados apresentados reforçaram o cenário: a taxa de desemprego entre jovens é mais que o dobro da média nacional, e questões como ansiedade, estresse e pressão digital agravam a saúde mental. Segundo Clécio, compreender esses indicadores é decisivo para estruturar Programas de Desenvolvimento Individual (PDIs) e fortalecer a gestão diária.

O futuro da IA não é automação, é propósito

O segundo painel, conduzido por Marçal Paim (Químea Inteligência Ambiental), debateu o papel da Inteligência Artificial sob a perspectiva do propósito. O especialista destacou que a relação entre pessoas, marcas e impacto social permanece central, mesmo diante da transformação tecnológica.

Paim apresentou os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU e defendeu que o empreendedorismo pode impulsionar o cumprimento dessas metas.

Ao projetar o futuro da IA, ele apontou benefícios como decisões mais precisas e maior longevidade dos negócios, mas reforçou que elementos como ética e cultura organizacional continuam sendo determinantes para a sustentabilidade das empresas.

Descarbonização, governança e motivação

Renato Távora (O’green) falou sobre descarbonização, destacando o tema como um dos pilares do ESG e um caminho estratégico para tornar as empresas mais eficientes e competitivas. Segundo ele, a gestão de carbono é especialmente relevante para o franchising, que já sente os efeitos das mudanças climáticas: do aumento do custo de insumos a atrasos logísticos e perdas de faturamento por alterações de temperatura.

Távora apontou que redes mais maduras no assunto começam pelo mapeamento das operações, cálculo das emissões e definição de ações de redução e neutralização, sempre acompanhadas de comunicação transparente. Para o especialista, descarbonizar é uma demanda ambiental e uma oportunidade de inovação e proteção dos negócios.

No bloco sobre liderança , Ana Vecchi (Ana Vecchi Business Consulting) destacou que práticas sustentáveis só funcionam quando são incorporadas de forma verdadeira ao negócio, não apenas como discurso. A análise apresentada reforçou os riscos do greenwashing, que vão de perdas reputacionais a sanções e prejuízos de longo prazo, mostrando como a transparência é essencial para que a sustentabilidade gere valor real. “Independente do tamanho da franqueadora, cultivar boas práticas desde o início é a chave para acelerar os resultados”, afirmou.

Charles Tokarski complementou com o case do Grupo Roval, ressaltando o papel da liderança em aprender, inovar e rever processos continuamente. “Quando estamos à frente de nossas empresas, precisamos dar um passo para trás e olhá-las de fora”, disse, defendendo uma gestão mais consciente.

Por sua vez, Jayme Santos (Buddha Spa) trouxe uma reflexão final sobre a força do aprendizado compartilhado, destacando que o crescimento é mais consistente quando equipes evoluem juntas. Ele retomou o papel do propósito como guia para conquistas e amadurecimento, lembrando que negócios mais sólidos surgem quando pessoas e organizações entendem por que fazem o que fazem.

O evento se encerrou após sua fala, concluindo um dia marcado por debates que conectaram sustentabilidade, governança, impacto social e inovação. As discussões mostraram que o franchising avança quando há intenção real, preparo e abertura para transformação.

Imagens: ABF/Divulgação

Leia Também