Lideranças do setor analisaram como IA, omnicanalidade e dados passam a orientar decisões práticas e escaláveis nas redes de franquias brasileiras.
Em seu tradicional Pós-NRF, a ABF reuniu franqueadores, franqueados e lideranças do setor para aprofundar os principais aprendizados do conferência anual da National Retail Federation (NRF), maior evento global do varejo, com mais de 300 palestras, 40 mil participantes e grandes nomes do setor, realizado de 11 a 13 de janeiro, nos Estados Unidos.
O evento da entidade brasileira, aconteceu no espaço Unibrad, em São Paulo, e promoveu uma agenda focada em debates sobre as tendências, aprendizados e reflexões estratégicas que podem ser aderidas à realidade do franchising e do varejo no Brasil.
Entre os participantes e curadores de conteúdo, estiveram presentes: Cristina Franco, presidente do Conselho e Juarez Leão, membro do Conselho da entidade, Claudia Vobeto, Diretora de Capacitação, que apresentou o evento, além de Eduardo Terra (BTR), Julio Takano, (KT Arquitetura de Negócios) e Luis Marcelo (Grupo Trigo).

Complicações internacionais vieram para ficar
Terra trouxe uma leitura estratégica do cenário global do varejo, marcado por forte aceleração tecnológica e mudanças estruturais no comportamento do consumidor.
Segundo ele, “mercados mais maduros, como o dos Estados Unidos, já acendem alertas importantes com fechamento de milhares de lojas físicas em 2025. No Brasil, o saldo ainda é positivo, mas a mensagem é clara: não se trata do fim da loja física, e sim do fim da loja que espera passivamente pelo fluxo e não se reinventa”.
Outra grande transformação está na Inteligência Artificial (IA) como centro do varejo. Nesse contexto, os insights foram divididos em seis pilares se tornam essenciais, nomeado de 6+1 (IA):
- O mundo e o varejo em ebulição
- Novas jornadas de compra
- Varejo movido por IA
- Varejo além da venda
- Cinco dimensões para o futuro da loja
- Olhar humano da IA
Ou seja, a jornada deixa de começar pela busca e passa a ser iniciada pelo contexto, por meio de conteúdos, recomendações e agentes digitais. Esse movimento dá origem ao “conceito de jornada invertida, onde se inicia o Comércio Agêntico.
Aterrisagem no franchising
Diante desse cenário, a transformação digital deixa de ser uma iniciativa pontual e ocupa o centro da estratégia das redes de franquias, alinhado ao cliente no centro, o que se tornou uma exigência operacional.
Para (Tom) Leite, as empresas vencedoras não serão as que têm IA, mas as que conseguem transformar pessoas em “super usuários”. No Franchising, a tecnologia só escala quando o franqueado e membros de equipes entendem o benefício, ou a ferramenta simplifica, não complica, ou a IA entra como apoio à decisão, não como imposição.

Além disso, a tecnologia e dados precisam atuar como facilitadores da relação, e não como barreiras. “O franchising precisa entender a loja como uma plataforma de experiência, investir em treinamento humano e fortalecer suas bases. Muitas vezes, o crescimento não vem das grandes inovações, mas de fazer bem o básico, com consistência e cultura forte”, disse Cristina.
Dados: o herói invisível da operação
Na sequência, Marcelo (Grupo Trigo), apresentou a experiência da companhia na construção de um relacionamento mais profundo com o consumidor a partir de dados e programas de fidelidade.
Hoje, entre 53% e 55% das compras nas marcas do Grupo já são identificadas, o que permite desenvolver ações mais personalizadas, estimular recorrência e ampliar o lifetime value do cliente.

Segundo o executivo, o foco passa a ser a personalização em escala, com decisões orientadas por dados, mas sempre sustentadas por equipes qualificadas. “Dados só geram valor quando existem pessoas preparadas para transformá-los em informação e decisão”, destacou.
Foto: ABF/Divulgação