Tom Moreira Leite, presidente da ABF e do Grupo Trigo, e Decio Pecin, vice-presidente da entidade e CEO do CNA+, destacam a importância da escuta ativa, da humildade e do relacionamento entre franqueadores e franqueados na construção de cultura de marca e de redes sustentáveis
Encerrando a 1ª Convenção Nacional de Franqueados ABF, o painel “Cultura de Alta Performance” reuniu Tom Moreira Leite, presidente da ABF e do Grupo Trigo, e Decio Pecin, vice-presidente da entidade e CEO do CNA+, em uma conversa mediada por Cristy Martins, diretora de Franqueados da ABF. Na abertura do debate, Cristy destacou que as duas redes representam exemplos de “comprometimento genuíno com a cultura da marca e de relacionamento consistente com seus franqueados”.
Ao refletir sobre os diversos cases apresentados ao longo da Convenção, Tom ressaltou um elemento comum entre os empreendedores de sucesso: as pessoas. “Tivemos a oportunidade de ver no palco vários franqueados de sucesso de diferentes segmentos. Nenhum deles deixou de falar de time. Todo empresário de sucesso tem cuidado com o time de uma forma natural”, afirmou.
Para ele, a construção de redes de alta performance depende da capacidade de desenvolver uma escuta ativa entre todos os participantes do sistema. “Existe uma questão de humildade intelectual que não tem a ver com contrato ou posição hierárquica. Os franqueados que se sentem à vontade para contribuir acabam tirando o melhor do Grupo Trigo”, disse.
Decio Pecin apresentou quatro pilares para a construção de organizações de alta performance:
- Acreditar no negócio e no modelo;
- Compreender que o que trouxe a empresa até o presente não necessariamente a levará ao futuro;
- Executar com excelência;
- Cultivar a humildade.
Segundo o vice-presidente da ABF, gerar valor para quem está na outra ponta da relação é uma responsabilidade compartilhada entre franqueadores e franqueados. “Se eu acredito e entendo o negócio, preciso executar e trazer mais valor para quem está na outra ponta. O franqueador também executa muito e precisa ter excelência na execução, mas, para executar de forma diferente, precisamos ter a excelência da humildade”, afirmou.
Os executivos também compartilharam desafios enfrentados em suas redes e defenderam o diálogo como ferramenta essencial para a evolução dos negócios. Pecin contou que, em seus encontros com os franqueados do CNA, costuma fazer um convite direto: “Fale onde dói”.
Já Tom destacou a importância da transparência e da diligência na escolha de uma franquia. “Se eu fosse adquirir uma franquia, procuraria entender a saúde financeira da rede, como acontece o processo de decisão e faria uma due diligence. Mas, sobretudo, não assinaria um contrato sem antes conversar com os franqueados da rede”, recomendou.
O presidente também alertou: “Franqueador que depende apenas da taxa de franquia para fechar as contas é, para mim, um sinal amarelo da saúde financeira do negócio”.
Ao final, ambos os executivos reforçaram que os indicadores mais importantes nem sempre são os mais fáceis de mensurar. “Não é fácil mostrar o ROI [“Retorno sobre Investimento” em inglês]. Aliás, tudo que tem valor não tem preço”, afirmou Pecin.
Tom encerrou ressaltando a centralidade das relações humanas na liderança: “Eu não me guio por indicadores de vaidade. Eu gosto de gente. Meu maior prazer na ABF e no Grupo Trigo é o relacionamento com as pessoas”.
Foto: Keiny Andrade