Lideranças compartilham estratégias eficazes no primeiro dia do ABF Franchising Summit Brasil
Dando continuidade à programação do primeiro dia do ABF Franchising Summit Brasil, realizado nesta segunda-feira (22), no Expo Center Norte, em São Paulo, executivos de grandes redes para apresentar cases de sucesso voltados ao crescimento sustentável das franquias. Os temas abordaram expansão internacional, colaborações entre marcas, aplicação prática de tecnologia e repasse de unidades como estratégia de expansão.
Alisson Ramalho (Grupo SD compartilhou a trajetória de internacionalização da EyeBrow Design, marca que integra o grupo e já acumula mais de meio bilhão de reais faturados fora do Brasil.

Segundo o executivo, a expansão internacional exige planejamento estruturado e uma visão de longo prazo e destacou cinco pilares que sustentaram o crescimento da marca no exterior: visão, ambição, mentalidade, estratégia e execução. Para ele, a capacidade de colocar os planos em prática é determinante para o sucesso. “Intenção menos ação é igual a nada. Se você não tiver coragem realmente para empreender e levar o teu negócio para o mundo, não acontece”, disse.
Atualmente, a marca conta com 42 unidades internacionais em operação e mais de 120 comercializadas. O executivo também falou da importância da adaptação local para cada mercado. “Internacionalizar não é apenas abrir unidades em outro país. É construir uma estrutura capaz de replicar a cultura, as operações e os resultados em qualquer lugar do mundo”, destacou.
Collabs que criam cultura
Na sequência, Marcel Gignon (Chilli Beans) apresentou o case sobre o uso de collabs como ferramenta estratégica para fortalecer marcas e gerar conexão com consumidores.

Para ele, o sucesso de uma colaboração vai muito além da união de logotipos e que as parcerias bem-sucedidas são construídas sobre quatro pilares: verdade, comunidade, experiência e desejo. “As marcas precisam compreender profundamente seus públicos antes de desenvolver qualquer projeto. Pessoas não compram produtos, elas compram a sensação de fazer parte daquele universo”, ressaltou.
Durante a apresentação, o executivo compartilhou exemplos de colaborações realizadas pela Chilli Beans com marcas e ícones da cultura pop, como Harry Potter, PlayStation, Volkswagen, NASA, Rita Lee e Legião Urbana. Segundo ele, a criação de narrativas autênticas é o diferencial para gerar engajamento.
Tecnologia aplicada ao varejo
O terceiro case foi apresentado por Cláudia Abreu (Royal Face), que abordou como a tecnologia pode gerar eficiência operacional e melhorar os resultados das redes de franquias.
A executiva destacou que, embora muitas vezes seja vista apenas como custo, a tecnologia se tornou indispensável para o varejo moderno. Além disso, o comportamento do consumidor mudou definitivamente e exige que as marcas estejam presentes em diferentes canais. “Essa é uma decisão que não tem mais volta. O nosso cliente está no e-commerce, no TikTok Shop, no Instagram e na loja física”, explicou.

A executiva também apresentou resultados obtidos pela Royal Face após a implementação de ferramentas de CRM e inteligência artificial. Entre os indicadores, a rede registrou redução de 40% no índice de faltas em agendamentos e aumento de 25% no ticket médio.
Apesar dos avanços tecnológicos, Cláudia reforçou que as pessoas continuam sendo essenciais para o sucesso das operações. “A cultura sempre vence a execução. Podemos colocar a melhor plataforma de tecnologia do mundo, mas se as pessoas não estiverem engajadas, não tem jeito”, afirmou.
Repasse como ferramenta estratégica
Por fim, Renata Rouchou, (Casa Bauducco), apresentou o potencial do repasse de unidades como mecanismo de crescimento sustentável dentro das redes.

A executiva buscou desconstruir a percepção de que unidades de repasse necessariamente apresentam problemas operacionais. “Muita gente acha que repasse é loja problema. Não é. Se for feito da maneira correta, é uma excelente ferramenta de expansão”, afirmou.
E complementou, que o modelo oferece vantagens tanto para os franqueados quanto para as franqueadoras, já que permite aproveitar pontos comerciais consolidados, histórico de vendas e estruturas já implantadas.
Em relação aos resultados obtidos pela Casa Bauducco em unidades repassadas, os crescimentos chegaram a 47% nas vendas após a mudança de gestão, ou seja, “o repasse pode e deve ser uma ferramenta de expansão sustentável e responsável”, concluiu.
Fotos: Keiny Andrade