Presidente da ABF destaca sete insights da imersão no mercado chinês, marcado por ecossistemas integrados, IA, excelência operacional e velocidade de execução
A China está redefinindo os conceitos de escala, inovação e gestão empresarial. Essa foi uma das principais conclusões da visita ao gigante oriental, realizada entre 30 de maio e 6 de junho, por Tom Moreira Leite, presidente da ABF, ao lado de Cristina Franco, presidente do Conselho, e Natan Baril, diretor jurídico da entidade. Os representantes da Associação Brasileira de Franchising integraram o grupo da BTR Varese em visita à China, que contou com o apoio da entidade.
Durante a imersão, a comitiva visitou empresas de tecnologia, varejistas, plataformas digitais e algumas das maiores redes de café do mundo, observando de perto práticas que vêm transformando a competitividade das empresas chinesas.
Para Tom Moreira Leite, o maior aprendizado da visita vai além da inovação tecnológica. “A principal vantagem competitiva da China hoje não é custo. É a combinação entre ecossistemas integrados, inteligência artificial (IA), velocidade de execução e disciplina operacional”, destaca.
A seguir, confira sete insights extraídos da viagem que o presidente da ABF compartilha:
- Ecossistemas integrados geram mais valor: as empresas chinesas conectam tecnologia, pagamentos, logística, dados, IA e relacionamento com clientes em plataformas integradas. Para as franquias, a integração entre rede, canais digitais, fornecedores e consumidores tende a se tornar um diferencial cada vez mais relevante.
- A inteligência artificial já está na operação: em muitas organizações, a IA deixou de ser uma iniciativa experimental e passou a fazer parte da gestão cotidiana, apoiando decisões, aumentando produtividade e melhorando a experiência do cliente.
- Tecnologia e varejo caminham juntos: o caso da Luckin Coffee, que possui mais de 34 mil lojas, demonstra como dados, aplicativos e tecnologia proprietária podem acelerar inovação, fortalecer o relacionamento com consumidores e apoiar a expansão de uma rede.
- Execução é tão importante quanto inovação: disciplina operacional, simplicidade de processos, velocidade de implementação e consistência na experiência do cliente foram características observadas em diversos setores. A capacidade de transformar inovação em rotina operacional chamou atenção da delegação.
- Menos complexidade, mais eficiência: muitas empresas optam por portfólios mais enxutos para reduzir complexidade, ganhar produtividade e responder com maior rapidez às demandas do mercado.
- Experiência e design agregam valor: além da eficiência operacional, o mercado chinês demonstra forte atenção à experiência do consumidor, investindo em identidade visual, design de lojas e integração entre marca e jornada de compra.
- Escala exige tecnologia e padronização: o crescimento acelerado de redes como Luckin Coffee, Cotti Coffee e Manner Coffee mostra que tecnologia, dados e processos padronizados são fundamentais para sustentar a expansão sem comprometer a qualidade da operação.
Um olhar para o futuro
Ao final da viagem, a principal reflexão trazida por Tom Moreira Leite está relacionada à capacidade das empresas de utilizar melhor seus dados, acelerar ciclos de aprendizagem, incorporar inteligência artificial à gestão e integrar seus diferentes ativos em ecossistemas mais conectados.
“A maior lição da China talvez seja esta: o futuro pertence menos a quem tem as melhores ideias e mais a quem consegue transformar ideias em execução consistente, todos os dias”, resume o presidente da ABF.
A experiência reforça que o franchising brasileiro tem oportunidades significativas para ampliar produtividade, acelerar sua transformação digital e fortalecer sua competitividade em um mercado cada vez mais dinâmico e conectado.
Foto: BTR Varese