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Estudo ABF/Sebrae feito pelo Ipespe mapeia oportunidades e desafios das redes

– ATUALIZADO EM novembro 5, 2026

Mapeamento aprofunda pesquisas da entidade com uma nova base de dados e revela predominância de redes menores, perspectivas positivas de expansão e pressões sobre a rentabilidade.

O franchising brasileiro reúne majoritariamente redes de pequeno porte, mantém perspectivas favoráveis de crescimento e busca alternativas para expandir os negócios em um ambiente marcado por custos elevados, restrições ao crédito e dificuldades de contratação. Esse é o retrato apresentado pelo estudo Mapeamento do Franchising Brasileiro, iniciativa da ABF – Associação Brasileira de Franchising e do Sebrae, realizada pelo Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe). O levantamento aprofunda as pesquisas já realizadas pela entidade, a partir de uma nova base de dados, e combina informações quantitativas, entrevistas qualitativas e análise de diálogos digitais para ampliar a compreensão sobre a estrutura, o desempenho e as perspectivas do setor.

A pesquisa evidencia o peso dos pequenos negócios na estrutura do franchising. Microempresas (ME) e empresas de pequeno porte (EPP) representam 88% das operações franqueadas, sendo 64% enquadradas como ME e 24% como EPP. Na distribuição por segmento, Alimentação lidera, com 29% das operações, seguida por Saúde, Beleza e Bem-Estar (22%), Serviços e Outros Negócios (13%) e Moda (11%). Juntos, esses quatro segmentos concentram aproximadamente 75% das operações identificadas.

“O mapeamento feito pelo Ipespe amplia nosso conhecimento sobre o franchising brasileiro e permite olhar para o setor com mais profundidade, identificando diferenças entre redes de portes distintos, oportunidades de expansão e obstáculos que precisam ser enfrentados. Esse diagnóstico é importante para orientar as ações da ABF e contribuir para um ambiente de negócios mais favorável ao desenvolvimento das franquias”, afirma Tom Moreira Leite, presidente da ABF.

O estudo mostra também que seis em cada dez franqueadoras (61%) têm até 30 operações e um quarto (25%) possui entre 31 e 100. As franqueadoras com mais de 100 operações somam 13% – desta parcela, apenas 1% tem acima de 1.000 operações. Essa distribuição evidencia a predominância de redes com um número relativamente reduzido de operações, além da diversidade de escalas de atuação no franchising brasileiro. A internacionalização também é restrita: menos de 10% das franqueadoras pesquisadas atuam no exterior, embora 38% manifestem interesse em ingressar em outros mercados.

Crescimento e expansão convivem com pressão sobre as margens

Os indicadores de desempenho revelam confiança no modelo de franquias. Segundo a pesquisa, 59% dos franqueadores afirmam que o faturamento de suas redes cresceu ou cresceu muito em 2026, na comparação com 2025. Outros 24% relatam estabilidade e 13%, queda. Para os próximos 12 meses, 85% esperam melhora no desempenho da rede. Além disso, 72% declaram estar satisfeitos ou muito satisfeitos em atuar no franchising.

Essas perspectivas acompanham o desempenho recente do setor. De acordo com a ABF, o franchising brasileiro faturou R$ 301,7 bilhões em 2025, crescimento de 10,5% sobre o ano anterior. No primeiro semestre de 2026, o avanço foi de 9,7% em relação ao mesmo período de 2025.

O otimismo, entretanto, convive com preocupações sobre a rentabilidade. As entrevistas qualitativas apontam que o aumento dos custos de insumos, ocupação e plataformas de entrega, somado aos juros elevados e à maior sensibilidade dos consumidores aos preços, pressiona as margens e pode adiar investimentos. Esse cenário também influencia as estratégias de expansão, com maior atenção à escolha dos franqueados, à consolidação das unidades existentes e à adoção de formatos operacionais mais enxutos.

Apesar dos desafios, 92% dos franqueadores pesquisados pretendem abrir novas operações franqueadas nos próximos 12 meses, e 36% planejam realizar 21 ou mais aberturas. Ao mesmo tempo, 47% encerraram de uma a cinco operações no último ano. A pesquisa também identifica estratégias para sustentar o crescimento, como a entrada em cidades do interior, a redução do tamanho das lojas, o desenvolvimento de estruturas próprias de produção e logística e o aumento do tíquete médio.

“Os resultados mostram que o franchising continua sendo uma alternativa atrativa para empreendedores e investidores, mas também deixam claro que crescer exige planejamento e capacidade de adaptação. As redes precisam considerar as particularidades de cada mercado, avaliar os custos de implantação e buscar eficiência operacional. Para as empresas menores, em especial, o acesso a recursos, a capacitação e o suporte adequado são fatores importantes para viabilizar o desenvolvimento dos negócios”, destaca Cristina Franco, presidente do Conselho da ABF.

Tributação, mão de obra e crédito estão entre as principais preocupações

A carga tributária lidera a lista de preocupações dos franqueadores para os próximos 12 meses, citada por 55% dos entrevistados. Em seguida aparecem mão de obra (50%), juros e acesso a crédito (34%), inflação e aumento de custos (33%) e recuo das vendas (29%).

O peso desses desafios varia conforme o porte das redes. A carga tributária é citada por 61% das empresas de médio e grande porte, ante 44% das MEs e EPPs. Estas, por sua vez, demonstram maior preocupação com a inflação e o aumento dos custos (40%) e com a queda nas vendas (37%). As entrevistas apontam ainda incertezas relacionadas à Reforma Tributária e às possíveis repercussões sobre a rentabilidade e as decisões de investimento.

O acesso a financiamento é outro entrave à expansão: 42% dos franqueadores consideram difícil ou muito difícil obter crédito e capital para ampliar a rede. A mão de obra também exige atenção. Mais da metade dos entrevistados (55%) relata dificuldade para contratar e reter trabalhadores, embora 60% planejem ampliar seus quadros nos próximos 12 meses. Atendimento e experiência do cliente, vendas, competências digitais e gestão estão entre as habilidades mais procuradas.

Tecnologia e novos formatos no radar das redes

A transformação digital aparece como uma das principais tendências para o futuro do franchising. Quando perguntados sobre a mudança mais importante para o setor, 33% dos franqueadores apontam inteligência artificial (IA) e automação, seguidas por profissionalização da gestão (21%) e mudanças no comportamento do consumidor (18%).

A adoção da IA já é disseminada: 75% das redes pesquisadas afirmam utilizar a tecnologia em pelo menos um processo, enquanto outras 14% estão em fase de testes. Entre as aplicações mais frequentes estão marketing e produção de conteúdo (77%), atendimento ao cliente (68%) e operação e produtividade (54%).

A loja física permanece como base da operação: 86% das redes pesquisadas estão presentes em lojas de rua. Ao mesmo tempo, formatos como quiosques e operações home based, ambos presentes em 17% das redes, e e-commerce próprio, adotado por 13%, complementam os modelos tradicionais. A diversificação permite adequar investimentos e estruturas às características de cada negócio, embora a viabilidade de formatos compactos dependa das exigências operacionais de cada segmento.

O estudo também identifica a disseminação da multifranquia: 88% das redes pesquisadas possuem franqueados que operam mais de uma unidade da mesma marca.

Já as práticas ambientais, sociais e de governança (ESG) estão presentes em diferentes graus de formalização: 76% das franqueadoras declaram adotar pelo menos uma das práticas investigadas, com destaque para responsabilidade social (53%), diversidade e inclusão (51%) e sustentabilidade ambiental (49%).

Segundo Tom Moreira Leite, o estudo revela um franchising com perspectivas positivas de crescimento, impulsionadas pelo planejamento da expansão sustentável das redes e pela incorporação de tecnologias, mas que precisa superar obstáculos relacionados a custos, tributação, crédito e mão de obra. “Os dados também evidenciam a importância de se considerar as diferenças entre empresas de portes e segmentos distintos na definição de estratégias. Esse conjunto de informações oferece subsídios para compreender os rumos do setor, identificar oportunidades e orientar decisões que conciliem expansão, eficiência operacional e rentabilidade”, completa o presidente da ABF.

Metodologia

O estudo Mapeamento do Franchising Brasileiro, iniciativa da ABF e do Sebrae, foi realizado pelo Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe) a partir das bases cadastrais da entidade, enriquecidas com informações públicas de fontes oficiais, como Receita Federal, CNAE/IBGE e RAIS/CAGED. Numa primeira frente, com o uso de técnicas de mineração de dados e inteligência artificial, foram identificadas e caracterizadas franqueadoras e operações franqueadas, compondo uma base nacional estruturada, padronizada e em constante atualização e expansão. A segunda frente reuniu pesquisas de opinião e percepção para conhecer as avaliações, experiências, desafios e expectativas dos franqueadores, combinando entrevistas quantitativas digitais e telefônicas, entrevistas qualitativas em profundidade e análise de conteúdos e narrativas no ambiente digital. Nesta primeira edição, a escuta do setor foi direcionada aos franqueadores.

Imagens: ABF/Divulgação

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