Franchising brasileiro encerra o evento debatendo impacto das inovações globais, transformação das lojas e estratégias para o sucesso no varejo.
O painel final do Pós-NRF da ABF abordou o tema Aterrissagem no Franchising. Com a moderação de Cristina Franco, presidente do Conselho da ABF, os executivos Juarez Leão (membro do Conselho da ABF/Leão Group) e Julio Takano (KT Arquitetura de Negócios) debateram sobre as aplicações das inovações mundiais no franchising brasileiro.
Cristina comentou sobre a Inteligência Artificial (IA) Generativa, que vem redefinindo como criamos e consumimos conteúdo, além das formas como as empresas dominam essa tecnologia e estão se diferenciando no mercado. “A IA Generativa já está instalada nos grandes varejistas da América do Norte. Já no franchising brasileiro, estamos trilhando esse caminho de vendas e vemos isso pela ABF, um grande hub de conexão”, observou.
Além disso, para a executiva, marcas e lojas que já existem há anos no Brasil precisam se reinventar, se transformar em um espaço de imersão e multissensorial. “[Isso] é saber cuidar da nossa cultura dentro de cada uma de nossas marcas. É preciso um projeto bem estruturado, com linhas de financiamento para designar o processo de modernização de loja”, finalizou Cristina.

Como as tendências da NRF 2025 transformam o franchising
Juarez Leão esteve presente em sua 21º NRF e em termos de impacto e conteúdo essa edição foi a que mais impressionou o executivo. “Eu nunca tinha visto algo nesse nível. Tivemos uma imersão de IA no dia a dia do varejo de forma mais acessível e comum. O mais próximo que eu vivi foi na época da invenção da internet e seu impacto no varejo. Foi algo fenomenal, altamente impactante que até hoje nos traz grandes resultados e ainda em crescimento”, comentou.
O executivo comentou, ainda, que o maior erro é subestimar a IA, pois ela trará um impacto maior do que imaginávamos. “Alguns ainda pensam que é modismo e quem possui esse pensamento perderá um tempo precioso para se preparar para trabalhar de uma maneira mais efetiva”, disse.
A NRF 2025 delineou três pilares cruciais para a evolução do varejo: Inovação tecnológica, Propósito com sustentabilidade e Conexões humanas. Na visão de Leão, no setor de franchising, essas tendências redefinem a forma como as franqueadoras devem operar para se manterem competitivas e relevantes. “As empresas que conseguirem fazer o equilíbrio entre inteligência artificial e tecnologia, mas sem perder essa questão da humanização, essas serão campeãs. E se usarem a plenitude terão uma melhoria de performance muito grande e vão se manter competitivas no mundo do franchising, a exemplo do varejo”, concluiu.

O terceiro lugar na vida dos clientes
Julio Takano apresentou dois cases para que o público presente pudesse refletir sobre a jornada e o conceito de aplicabilidade tangibilizada. Ele começou com o conceito do terceiro lugar em nossas vidas, que são lugares aonde vamos porque desejamos e não porque precisamos. “Antigamente, éramos obrigados a ir a uma farmácia ou supermercado, hoje nos Estados Unidos você vai passear em uma farmácia e no supermercado. Ou seja, a coisa mudou e vemos isso se propagando em outros países”, explica.
Na visão do especialista, este conceito do terceiro lugar transcende a um de ecossistemas de negócios, que ajuda as lojas a criarem o maior e melhor canal de distribuição de produtos, serviços e experiências imersivas do varejo, através da conexão de marcas para o cliente.
O primeiro case apresentado por Takano foi o da Foot Locker, que possuí 2.700 lojas em 28 países e faturamento anual de US$ 8 bilhões, referência global na cultura sneaker. A rede possui uma visão prática de como combinar rentabilidade, relevância cultural e inovação e esse pontos fazem a empresa se destacar em um mercado extremamente competitivo. As lojas contam com uma área de personalização que permite ao cliente escolher customizações em tempo real. Além disso, a Foot Locker posiciona-se como plataforma de lifestyle, promovendo eventos esportivos além de lançamentos exclusivos, fortalecendo seu papel como hub cultural para a comunidade.
O segundo case detalhado pelo especialista foi o da Arc’Teryx, uma empresa canadense de vestuário especializada em roupas e equipamentos para atividades ao ar livre. A loja possui uma área de aproximadamente 1.350 m² e um faturamento de U$ 7 bilhões por ano. Segundo Takano, com qualidade atemporal, a marca traz design intuitivo e simplicidade que resultam em desempenho incomparável em situações de extrema necessidade. Além de produção local, reparo, reaproveitamento e reciclagem dos produtos, a empresa atua reduzindo o desperdício e incentivando a economia circular. Além disso, a marca também apoia iniciativas para preservação ambiental e acessibilidade ao esporte, com doações a ONGs e programas educacionais.
Takano finalizou falando que um varejo de sucesso não é apenas transacional, mas relacional. Segundo ele, valorizar e capacitar colaboradores cria um time excepcional que reforça a marca, e a cultura corporativa precisa estar alinhada aos valores e propósitos do negócio. “O ambiente de compra deve ser memorável, combinando estética e funcionalidade, e apenas líderes visionários conseguem equilibrar inovação e responsabilidade para garantir transparência, resiliência e perpetuidade da marca”, disse.
Foto: Keiny Andrade