Summit ABF debate movimentos que impactam o mercado, desafiam o setor e despertam novas tendências.
O avanço da inteligência artificial (IA) já influencia diferentes etapas da expansão, mas sua eficiência depende de contexto, estratégia e clareza sobre o problema que a rede precisa resolver. Dando continuidade à programação do Summit de Expansão da ABF, em São Paulo, Neander Souza (FranqIA) destacou que a tecnologia funciona como uma camada sob processos já existentes e pode reduzir a chamada “latência” da expansão.
Entre as aplicações citadas, está o uso de IA na análise da Circular de Oferta de Franquia (COF), enviada de forma digitalizada para um sistema capaz de analisar sua leitura e apoiar o processo de qualificação.
Entretanto, alertou que “a IA não faz expansão no lugar das pessoas e o humano disso ainda persiste. O refinamento para a tomada de decisão é crucial”.
Neste sentido, a análise humana também permanece decisiva na escolha do candidato e na própria adoção da tecnologia. Renata Ozório (Pizza Prime) ressaltou que a IA pode trazer mais assertividade e agilidade ao processo, mas a “avaliação de aderência cultural e de perfil não pode ser automatizada” por completo.
Ana Flavia, Coordenadora da Comissão de Transformação Digital da ABF (Algar), acrescentou, ainda, que aspectos percebidos na conversa, inclusive por vídeo, como o vocabulário utilizado pelo candidato, podem contribuir para essa análise. Para ela, a entrada da IA nas organizações é uma “decisão de liderança, que precisa considerar os receios naturais diante de uma tecnologia ainda desconhecida e criar espaço para experimentação”, concluiu.
Ásia na rota das franquias
As diferenças entre Oriente e Ocidente revelam aprendizados importantes para empresas que buscam novos mercados. Para Lyana Bittencourt (Grupo Bittencourt), o mercado oriental tem como pilares a escala, velocidade e uma cadeia de suprimentos altamente controlada diante de um mercado de 1,4 bilhão de habitantes, como na China, enquanto o modelo ocidental, inspirado principalmente na experiência norte-americana, tende a testar, aprender e ajustar a operação antes de ampliar sua presença.

Em relação à cultura, Marcos Hirai (Opex Retail) falou que a “construção de confiança precede a relação comercial nos países asiáticos. Ou seja, os negócios acontecem com tempo, sem pressa… exigem transparência e disposição para avançar para uma negociação”.
O impacto da geopolítica no futuro dos negócios
Oliver Stuenkel, professor da FGV e colunista do Estadão, chamou atenção para a mudança no eixo de poder global e para a necessidade de ampliar o conhecimento sobre a Ásia.
A partir de uma experiência recente de viagens pela Índia, Singapura, Taiwan, China, Japão e Indonésia, o professor relatou a preocupação com a baixa procura de estudantes brasileiros por experiências acadêmicas na região, apesar de sua crescente relevância cultural, além da econômica e política. Para ele, o movimento atual “não representa o surgimento de um mundo asiacêntrico, mas o retorno a uma configuração que marcou grande parte da história econômica global”, disse.

Stuenkel ressaltou, ainda, que a ascensão da Ásia precisa ser compreendida como uma transformação estrutural, e não apenas como uma tendência passageira. Nesse cenário, ampliar a compreensão sobre os mercados asiáticos torna-se relevante para empresas e executivos que precisam antecipar mudanças e identificar oportunidades em um ambiente internacional cada vez mais conectado.
Fotos: ABF/Divulgação