A partir de estudo conduzido pela BR Insights e auditado pela KPMG, a ABF consolidou pela primeira vez a percepção geral de milhares de franqueados por todo o Brasil
A relação franqueador-franqueado é a base central do franchising e, pela primeira vez, a ABF – Associação Brasileira de Franchising consolidou as percepções dos franqueados entrevistados para formar um quadro geral deste relacionamento no Brasil e pontos fortes. Este estudo escutou 15.486 franqueados, de 345 marcas, dos 12 segmentos do franchising, localizados nos 27 estados e no Distrito Federal. Entre os franqueados entrevistados, predominam na amostra aqueles com até cinco anos de contrato, com 62%, sendo a grande maioria, 95,5%, mono unidade. Realizada pelo instituto BR Insights, com auditoria da KPMG, trata-se da maior pesquisa deste tipo já produzida no Brasil.
A pesquisa aponta uma confiança madura no setor, com 89% afirmando que indicariam a franquia a um amigo ou familiar, 84% escolheriam de novo e 85% estão satisfeitos.
Para o presidente da ABF, Tom Moreira Leite, “esses dados são bastante representativos. É preciso lembrar que as entrevistas são realizadas de forma individual e sigilosa e, mesmo assim, a grande maioria sustentou um elevado grau de satisfação. Ou seja, é a confiança de quem conhece o negócio por dentro, no dia a dia, sendo que em grande parte há alguns anos”.
O estudo investigou as motivações desta satisfação, trazendo duas questões principais: o retorno financeiro e o ciclo dentro da rede. A satisfação atingiu 99% entre quem respondeu que o resultado financeiro está acima do esperado. Este último critério recebeu nota máxima como o atributo mais importante para satisfação também.
“Mais do que o resultado em si, o que muito valorizado é o que a franqueadora faz a respeito. O resultado financeiro depende de muitos fatores, mas o franqueado quer que a franqueadora esteja junto, lutando por esse resultado. Aqui temos um caminho fundamental para zelar pelo relacionamento de longo prazo”, ressalta Sylvia de Moraes Barros, presidente do Conselho de Ética da ABF.

Outro ponto importante é o momento do franqueado na rede. Assim como muitas marcas já experimentam há alguns anos, quando o franqueado ingressa, ele chega com um elevado grau de satisfação. Mas, com os primeiros desafios operacionais e estratégicos típicos dos negócios, a taxa de satisfação cai, se recuperando a medida que esses pontos são equacionados, desenhando um U, conforme mostra o gráfico.
“Notamos também que quem fica após esse período apresenta uma satisfação maior do que no começo. Logo, as franqueadoras devem estar atentas e acompanhar de perto essa evolução, desenvolvendo, se possível, até práticas segmentadas voltadas aos franqueados entre 2 a 5 anos, contribuindo assim para a maturação da rede”, comenta Sylvia de Barros Moraes.
A pesquisa fez também uma análise dos 14 atributos que “puxam” a satisfação geral de cada um dos 15.486 franqueados para baixo ou para cima, apontando quatro questões principais: Busca de soluções para a rentabilidade, Suporte operacional para sustentabilidade financeira, Suporte geral da franqueadora e Rentabilidade após o payback.


Por fim, a pesquisa de franqueados analisou mais de 30,5 mil respostas abertas, cujo resultado foi consolidado em dois blocos de sugestões: suporte operacional e relacionamento. “Esta pesquisa traz insumos vitais para a sustentabilidade das relações no franchising brasileiro. Pelo conjunto das respostas, ficou claro também que o franqueado brasileiro também quer colaborar com sugestões e ações na rede. Logo, não é apenas uma questão de ouvi-lo, mas decidir junto. Franqueado é parceiro de negócios. E quer ser cada vez mais tratado como tal”, conclui o presidente da ABF.