Executivas tratam como planejar a continuidade com profissionalismo e propósito.
A Sucessão Familiar foi tema no último dia do ABF Franchising Summit Brasil 2025. Com moderação de Gabriela Baumgart, do Grupo Baumgart, o painel Processo de Sucessão – familiar e profissional reuniu as experiências corajosas e transformadoras de Isabelle Cavalheri (Grupo Incense e multifranqueada O Boticário) e Sandra Chayo (Grupo Hope), que colocaram na mesa o que os bastidores normalmente escondem: a tensão entre legado e inovação.
Fazer a sucessão é mais do que passar o bastão, é preparar o terreno para que o próximo passo da história seja coerente com o que veio antes, mas com autonomia para ir além. Gabriela apresentou dados do IBGE que foram um verdadeiro alerta. Embora 90% das empresas brasileiras sejam familiares, e representem 65% do PIB nacional, apenas 24% se preparam de forma estruturada para a sucessão. Essa desconexão entre relevância econômica e planejamento futuro ficou no centro do debate.
O painel também apresentou que apenas 30% das empresas familiares chegam à segunda geração, 10% à terceira e apenas 3% sobrevivem até a quarta. “A verdade é que, numa empresa familiar, a gente acaba se envolvendo com o negócio desde cedo — não só formalmente, mas nas conversas do dia a dia, na mesa de jantar, no almoço de domingo”, conta Isabelle.
Isabelle sempre soube que atuaria dentro do grupo Incense, a liderança sempre esteve envolvida nesse processo, no caso dela, o pai, a mãe e toda a liderança estavam envolvidos, criando um ambiente propício para que essa transição acontecesse com solidez e propósito. “O processo de sucessão começa com o querer, o querer das duas partes, ou até três, porque a empresa também precisa querer”, explicou.
Sandra é a segunda na sucessão familiar no grupo Hope, ela cresceu no meio da indústria têxtil, observando seu pai, Nissim Hara. A paixão e a coragem de seu pai a inspiraram a iniciar sua carreira na empresa da família. “Sempre busquei inovar e estar aberta a novas ideias, mas sempre mantendo a cultura e os valores construídos pelo meu pai.”, contou.
Ao final o painel apresentou pontos fundamentais como: planejamento de longo prazo, comunicação clara, capacitação dos sucessores, equilíbrio entre sentimento e gestão e, principalmente, coragem e respeito à cultura da marca aliada à modernização.
Foto: Keiny Andrade