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Comissão de Food Service debate impactos da Reforma Tributária na cadeia de Supply Chain

– ATUALIZADO EM maio 12, 2025

Tendência do franchising é se ajustar às regulamentações que estão por vir no segmento com humanização, colaboração e digitalização.

Em mais uma oportunidade de atualização e debate dos impactos das reformas no mercado, o tema do segundo Encontro da Comissão de Food Service da ABF foi “Supply Chain e Reforma Tributária”. Os associados da ABF e, principalmente do segmento de Alimentação, se encontraram na unidade da franquia Espetto Carioca, no Jardins, em São Paulo.

A Reforma Tributária, aprovada em 2023, promove uma reestruturação profunda no sistema de tributos sobre o consumo no Brasil, com a substituição do ICMS (estadual) e do ISS (municipal) pelo novo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), e a unificação do PIS e da COFINS na Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS).

A discussão teve moderação de Simone Galante (Galunion), que afirmou “no franchising, a tendência é o mercado todo se ajustar às novas regulamentações que estão por vir. Vale a pena o olhar do franqueador como um direcionador de negociações com seus fornecedores no segmento de Alimentação”.

Fernando de Paula, Diretor de Relacionamento Institucional da ABF (Mc Donald’s), também comentou que os franqueadores terão a responsabilidade de direcionar os franqueados nas negociações de primeiro momento. “Haverá redução de custo na ponta da cadeia de Supply Chain e é necessário negociar e se mostrar disposição para ajudar o franqueado” disse.

A transição terá início em 2026, com um período de testes e convivência entre os sistemas até 2032. Já o Simples Nacional continuará existindo, mas ainda está sendo discutido como será a integração ou adaptação desse regime às novas regras, que poderão ter novos estímulos à formalização e competitividade.

Para Rodrigo Matheus (Mei Mei), o regime tributário estratégico precisa começar desde já. A nova reforma tributária e unificação dos impostos modifica toda a cadeia e, além dos restaurantes, os operadores logísticos também se reinventarão, “pode aumentar muito a atratividade e precificação na ponta final, ainda mais para quem tem fornecedores diversificados”.Fernando de Paula complementou, ainda, que o Simples ainda não está totalmente resolvido e ele deve facilitar ainda mais a formalização do segmento de Food Service. “Precisamos entender que é algo que virá colaborar com os formais e não prejudicar, mas devemos entender e nos adaptar”.

Fernando Blower (Yayá/ANR/Sindrio) comentou sobre o período de implantação dos regimes especiais. “Temos que acompanhar caso a caso e os regimes especiais por estado, por exemplo, têm validade diferente e temos que nos atentar às datas até o final do período. Chegará um momento que estaremos sob esse regime e a nova reforma tributária e depois tudo se iguala”. Mas, no geral acredita que pode ter uma nivelação de concorrência, “principalmente em relação à informalidade, pois será mais caro ser informal. A menos que toda a sua cadeia seja informal e isso é quase impossível”.

Sobre o mapeamento estratégico de toda a cadeira de suprimentos, Blower alertou que “precisaremos de muita tecnologia para compreender todas as situações. No caso dos fornecedores, será necessário entender o modelo tributário do seu fornecedor, o mix de produtos, todo planejamento estratégico e se está em linha com o seu e das suas unidades de franquia, entre outras análises, como as trabalhistas e do próprio ponto físico”.

“Toda crise ou mudança intensiva precisa de um elemento chave, ou, no nosso caos, ingrediente: a colaboração”, encerrou Simone.

Adaptações e relacionamento com shoppings centers

Fernando Ribeiro e Bruno Gorodicht no Encontro da Comissão de Food Service, em São Paulo

Fernando Ribeiro, diretor das Regionais Norte e Nordeste da ABF e Ceo da Rede Sal e Brasa, apresentou um overview das unidades de franquias Sal e Brasa e comentou “que independente do negócio ser bar, restaurante, express, loja própria ou franqueada, todos nós de Alimentação teremos que nos unir cada vez mais com a Reforma”, disse.

Além disso, Ribeiro falou sobre a importância de novos produtos nos cardápios e equilíbrio. Nesse sentido, Bruno Gorodicht, Coordenador da Comissão de Food Service da ABF e Sócio Executivo da Rede Espetto Carioca, comentou sobre a carne vermelha, uma das que mais sofre com a inflação. “A diversificação de produtos é muito válida, mas as campanhas também precisam incentivar as pessoas para que consumam. Aqui, no Espetto Carioca, mostramos para o cliente que experimentar outro tipo de carne, como a carne de porco por exemplo, pode ser muito bom e assim vamos nos adaptando”.

Em relação às operações em Shoppings Centers, o alerta das praças de alimentação envolve a transparência nas negociações e relacionamento mais humano. Para Gorodicht, “não é apenas o faturamento da marca e o quanto ela paga em dia para o shopping. Temos um papel de sensibilização das negociações”, Ribeiro também completou que “o novo cenário tributário e adaptações aos formatos de consumo, ticket médio e custos, como a inflação, devem ser mostrado aos operadores de shopping, além de que uma rede consolidada é mais vantajoso”.

Fotos: ABF/Divulgação

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